Isso aqui é sobre cigarro?
Na grande catedral da papelada — essa sociedade dos arquivos, dos registros e da memória institucional embalsamada — ninguém é neutro. Nem você, nem eu, nem o estagiário que carimba protocolos como se estivesse marcando gado. As práticas arquivísticas fazem parte do motor invisível que decide o que existe e o que some no ralo da História: o que conta, o que permanece, e o que é enterrado vivo sob cinco camadas de “processo administrativo”.
E que ninguém venha com aquele papo asséptico de neutralidade técnica. Arquivo é poder. É bisturi, coleira e arma de choque. Foucault já gritou isso nos anos 1970, e a gente continua fingindo que é só um gabinete com cheiro de mofo. Este blog, portanto, abre as portas para um olhar crítico — daqueles que fazem sangrar estruturas: sobre o arquivo como máquina de controle, sobre as instituições disciplinadoras que arquivam tudo (inclusive você), e sobre os “normais” e “anormais” fabricados pela própria lógica de registro.
Se o mundo é um manicômio organizado por fichários, este espaço é o jornal underground colado no muro, lembrando que até a memória oficial é só uma forma educada de vigilância.
